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July 5, 2007
Joguei um copo d’água no asfalto e nasceu na hora a imagem de uma árvore em bico de pena. Um caminhão passou e levou a água nos pneus. Árvores foram crescendo estrada afora.
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May 16, 2007
- Ô Mulé Porca, era isso que costumava ouvir do marido todos os dias. Jurema na verdade não lavava as mãos para nada: acabava de cagar e já ia aprontando o prato do marido que ia logo sentindo aquele característico cheiro de bosta no cabo da colher. Então ele disparava: - Que fedor de merda é este aqui, tu até parece que não limpou o chicote. Nisso ela botava o fueiro na cara dele e levantava a saia dizendo: - Ispia tu mermo, Lôro… Realmente estava limpo - pelo menos para a percepção do marido, mas isso tomava outra caminho… Era assim: Lourenço largava o talher e picava a mão por debaixo das pernas dela. Lá encontrava um checa já super-aquecida pela quentura do fogão e fogo vinha à sua cabeça: eles trepavam ali mesmo sobre os pratos da mesa diante da filhinha menor. Diante das reclamações da mulher, Lourenço se justificava: - Educação sexual, mulher… e ao vivo!
A pobrezinha da Magali vinha nos últimos dias tendo pesadelo cabeludos, coisa difícil de explicar sem imagens, mas claramente observável pela sua expressão perturbada dia a dia.
Os anos passaram: agora a garotinha tinha 16 anos, os peitinho já levantando os panos e preservava aquela cara de quem nem desconfia que é gostosa. O pai, é certo, sabia e tinha o maior ciúme. Quando a fofinha chegava da aula ele ia logo no quarto cheirar suas partes à procura do cheiro de porra. Saia de lá todo satisfeito com a pureza da menina. Mal sabendo Lourenço que a branquinha era um “sucesso de pernas abertas” e boa parte dos homens da redondeza já a conhecia mais que intimamente. O grande diferencial dela era um detalhe simples - por conta disso o pai nunca encontrava indícios das suas travessuras - o que tinha a mãe de porca tinha a filha de asseada.
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April 26, 2007
Júlio era um delinqüente, um perfeito delinqüente, e tenderia a piorar ainda mais se não caísse nas graças de uma mulher que fez acender uma centelha de amor em seu fétido coração.
Corria o ano de 1976 e Júlio havia acabado de adquirir um corcel 73. A documentação era autêntica, tudo fora checado pelo instituto. Só que o problema não estava no carro, mas na cabeça do dono. Ele queria fazer um assalto com aquele carango. Aí estava seu erro.
A joana apareceu por mero acaso em sua vida. Ela era bem mais jovem que ele, mas já acomulava algumas passagens (pela delegacia). A moça parecia estar se regenerando e até trabalhava como garçonete num destes hotéis de beira de estrada. O local não era o que se poderia chamar de barra-pesada, mas não era nenhum paraíso. E foi por lá que apareceu o Júlio com um companheiro para tratar de assuntos… bem, para planejarem um assalto. As afiadas orelhas de Joana captaram trechos da conversa…momentos depois já estava ela a tratar do tema com eles como uma velha companheira de armações. A idéia de usar dois carros na ação foi dela. Um para o assalto, e outro (o do Júlio) para a fuga.
Eram 3 da tarde, o sol estava alto. Ninguém reagiu. O bando ia saindo de fininho quando Júlio e Júlia sentiram que entre seus olhares não havia somente a sensação de perigo, mas também o centelhar de uma paixão. Duas quadras adiante eles já estavam completamente apaixonados a bordo do 2º carro. O companheiro mútuo acelerava na estrada de poeira fina. Acabavam de realizar o crime perfeito.
A grana que carregavam era muito boa se dividida entre três. Mas se dividida entre dois seria ainda melhor. Foi imbuído nesse pensamento que Júlio deu um jeito em seu companheiro e o enterrou sob a raiz de um jacarandá numa cova rasa. Uns cães famintos apareceram e destruíram as evidências daquilo que até então era dado como o crime perfeito. O resto desse filme muita gente já contou e eu não vou desperdiçar o tempo de ninguém aqui.
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April 25, 2007
Eu tenho oitenta e poucos anos e desde que nasci tenho sido um prisioneiro. Não por imposicao de alguem ou de alguma lei. Nunca cometi nenhum crime, nunca fiz nada que justificasse meu suposto cárcere. Também nao considero um sofrimento essa minha trajetoria. Nesse anos conheci pessoas importantes para minha felicidade, fiz vários filhos, amei várias mulheres, nunca escrevi nenhum livro, é verdade, mas tenho um pé de jaca ali no quintal plantado por mim… Sou um prisioneiro por imposição do destino, talvez. Eu não dei oportunidade para minha liberdade, simplesmente fui ficando, ficando e hoje à tarde constatei a verdade. Nesses quase cem anos eu tenho sido uma prisioneiro de minha cidade. É isso, desde que nasci eu nunca sai daqui. Desse modo, concluí que minha felicidade não existe pois passei toda minha vida sendo punido. Que diabos eu fiz para merecer essa condição? Quero um advogado porra! Pensando bem uma bicicleta já resolveria tudo.
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Na beira do rio de águas nada diáfanas Gumercindo gastava sua solitária existência dentro de um barraco podre e colorido. Naquele local as coisas não aconteciam, mas tragédias não são coisas e aquela tarde veio para confirmar os presságios. Tudo se passou sob um céu cian-vignetado cortado por vôos de gavião-peneira.
A solidão de Gumercindo estava fadada a acabar naquele dia. Ele iria ficar em companhia dos trezentos e tantos corpos estirados no armazém municipal. As hortas que beirava o canal fedorento, que todos pensavam ser um rio, devia ter sido os primeiros seres vivos a trocarem de condição. Suas folhas em questão de segundo foram se transformando em cinza. Não, não chegaram a queimar, simplesmente se transformaram. Esse fato seria o prenúncio de tudo que ocorreria se um nabo não saltasse de sua terrinha e ativasse um campo de força extenso e vital para todos nessa história. Assim toda a realidade se transformou sob o efeito de um conto rápido e com pressa de acabar.
/por damião santana
Recife. Outubro de 2006
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April 24, 2007
Donald chegou puto da vida em casa e chamou a mulher para o quarto, longe dos filhos, pegou a coitada pelos cabelos e a lançou sobre a cama violentamente. Ela bateu e as molas da cama rangeram despertando sensualidade àquele momento. Isso anestesiou completamente os problemas do Donald e ele passou a investir com seu cajado já em riste. Margô, como era conhecida, se adaptou ao ataque e se abriu toda. Donald não se fez de rogado e espipocou a vara para dentro.
Lá fora as crianças, que não são bobinhas nem nada, perceberam o ocorrido e correram para o buraco da fechadura. Toda criança é voyeur e para completar gostam de imitar os adultos. Resultado, em dois minutos estava Chiquinha rolando sobre Huguinho diante da porta do quarto dos pais. Ao sair e deparar-se com e a cena Donald não suportou e saltou de encontro ao chão tal como o super que era, rompendo o assoalho de sua residência e levando nos peitos as raízes das árvores de toda a vizinhança. Com certeza o casal estaria em poucas horas recebendo as costumeiras reclamações dos vizinho sobre os sucessivos descontroles sofrido pelo único super do bairro.
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Pode me xingar do que quiser que eu jamais irei revidar com palavras. Palavras são armas dos fracos, eu uso minhas próprias armas: BANG BANG BANG. E estava morto com 3 tiros o oponente.
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Tinha tudo para dar errado e deu. Mas é certo que Leleu se apaixonara pela mulher do vizinho. Não se contentando em ficar em seu silêncio resolveu presentea-la com uma caixa de chocolates que foi entregue junto a um romântico bilhete. Ao receber a caixa de delícias, Sianinha nem abriu, somente pensou no regozijo máximo daquele galanteio. Era o que ela mais esperava para ser valorizada pelo marido. Sem sequer medir as conseqüências para o pobre Leleu, tragicamente esperou chegar a noite e entregou tudo ao marido que chegara cansado do trabalho. Bartolomeu nem disse nada. Pegou um porrete que mantinha embaixo da cama e saiu…
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