A joana apareceu por mero acaso em sua vida. Ela era bem mais jovem que ele, mas já acomulava algumas passagens (pela delegacia). A moça parecia estar se regenerando e até trabalhava como garçonete num destes hotéis de beira de estrada. O local não era o que se poderia chamar de barra-pesada, mas não era nenhum paraíso. E foi por lá que apareceu o Júlio com um companheiro para tratar de assuntos… bem, para planejarem um assalto. As afiadas orelhas de Joana captaram trechos da conversa…momentos depois já estava ela a tratar do tema com eles como uma velha companheira de armações. A idéia de usar dois carros na ação foi dela. Um para o assalto, e outro (o do Júlio) para a fuga.
Eram 3 da tarde, o sol estava alto. Ninguém reagiu. O bando ia saindo de fininho quando Júlio e Júlia sentiram que entre seus olhares não havia somente a sensação de perigo, mas também o centelhar de uma paixão. Duas quadras adiante eles já estavam completamente apaixonados a bordo do 2º carro. O companheiro mútuo acelerava na estrada de poeira fina. Acabavam de realizar o crime perfeito.
A grana que carregavam era muito boa se dividida entre três. Mas se dividida entre dois seria ainda melhor. Foi imbuído nesse pensamento que Júlio deu um jeito em seu companheiro e o enterrou sob a raiz de um jacarandá numa cova rasa. Uns cães famintos apareceram e destruíram as evidências daquilo que até então era dado como o crime perfeito. O resto desse filme muita gente já contou e eu não vou desperdiçar o tempo de ninguém aqui.
/por damião santana
Recife. Outubro de 2006